Mulemba - n.4 - UFRJ - Rio de Janeiro / Brasil / julho / 2011

AS MARGENS DA NAÇÃO NA POESIA DE SANGARE OKAPI E HELDER FAIFE

THE MARGINS OF THE NATION ON THE POETRY OF SANGARE OKAPI AND HELDER FAIFE

Jessica Falconi
Università degli Studi di Napoli
“L’Orientale”- Itália
CES - Portugal

RESUMO:
ª O artigo propõe uma leitura de Mesmos barcos, de Sangare Okapi (2007), e Poemas em sacos vazios que ficam de pé, de Helder Faife (2010), como exemplos de evocação de algumas margens da nação moçambicana no pós-independência.

PALAVRAS-CHAVE: Poesia moçambicana; Sangare Okapi; Helder Faife

ABSTRACT:
The proposal of this paper is to read both Sangare Okapi’s Mesmos barcos (2007) and Helder Faife’s Poemas em sacos vazios que ficam de pé (2010) as texts which evoke some margins of post-independence Mozambique.

KEYWORD: Mozambican poetry; Sangare Okapi; Helder Faife

         Pensar nos lugares da nação tem sido, e continua a ser, uma das práticas centrais nas literaturas surgidas em contextos de dominação colonial, na medida em que o espaço físico da nação, com todas as suas fronteiras, internas e externas, se faz “significante” de um conjunto de questões que envolvem processos e fenômenos de inclusão e exclusão, conflitos identitários que remetem para múltiplas memórias, histórias e diásporas. É através da evocação dos lugares que, de fato, também se recuperam heranças culturais e histórias outras, apagadas ou marginalizadas, pelas narrativas coloniais, e/ou pelas novas narrativas nacionais, questionando-se conceitos de pertença, autenticidade, cidadania. A metáfora do “mapa” é, de fato, frequente nas literaturas pós-coloniais, enquanto estratégia que, a partir das margens, questiona e reformula as lógicas de inclusão e exclusão, reconfigurando as relações culturais e identitárias (HUGGAN, 1995, p. 407). Nessa perspectiva, os lugares da nação proporcionam também um terreno para se equacionarem, de modo crítico, as continuidades e descontinuidades entre passado e presente, no intuito de continuar a imaginar e criar múltiplos futuros possíveis.

        Relativamente a países como Moçambique ou Angola – nações de muitas nações, parafraseando Mia Couto – onde a construção da nação independente foi imaginada e desenvolvida dentro das fronteiras herdadas pela dominação colonial, e onde os conflitos civis recriaram e impuseram fraturas e descontinuidades a partir do próprio espaço físico da nação, a literatura tem percorrido e habitado estas geografias fraturadas, ainda não resolvidas, desconstruindo-as ou recompondo-as, segundo instâncias e estratégias diversas, no intuito comum de refletir sobre as dinâmicas que marcam a equação entre desigualdade e diferença.

        Estas reflexões vêm a propósito da leitura de alguns livros de poemas de jovens autores moçambicanos publicados recentemente, entre os quais Mesmos barcos ou poemas de revisitação do corpo, de Sangare Okapi, publicado em 2007, e Poemas em sacos vazios que ficam de pé, de Helder Faife, editado em 2010. Tratam-se de duas experiências poéticas que, se por um lado se inserem nas tendências da poesia moçambicana apontadas por Secco (2006, pp. 229-49), por outro lado partilham desse traço comum a outras literaturas pós-coloniais, na medida em que transitam por distintos espaços e lugares da nação, buscando reinventar esses locais, convocando algumas das suas margens.

        Inserindo-se naquela que se poderia definir como uma vertente índica da poesia moçambicana (LEITE, 2003), o livro de Sangare Okapi, como já o subtítulo revela, revisita parte do corpus poético moçambicano e do próprio corpo da nação, percorrendo, de outras formas, o imaginário ligado ao Índico e à ilha de Moçambique, o que remete à notória “marginalidade” do norte em relação ao sul na configuração política, econômica e identitária do Moçambique pós-colonial.

        O imaginário insular é invocado logo na abertura do livro através de duas epígrafes, que, por via da autoria, remetem simultaneamente a uma dimensão diaspórica, já que, curiosamente, são ambas retiradas de obras de autores de origem africana (Maria Orrico e Eduardo Bettencourt Pinto) que residem fora dos seus países de origem e são ligados à literatura dos Açores. Por tal razão, este imaginário híbrido é configurado como um lugar comum, onde se instauram múltiplas e insuspeitadas conexões (GLISSANT, 1996, 28; ZACCARIA, 2004, 14).

        O intenso diálogo intertextual com a tradição poética moçambicana marca grande parte da construção do livro de Sangare, em que são repropostos muitos dos “tópicos” do imaginário ligado ao Índico, sedimentado pela poesia anterior. É o caso, por exemplo, da dimensão erótica associada à deambulação pelo espaço litoral, insular e oceânico, tão presente na poesia de Virgílio de Lemos, Luís Carlos Patraquim e Eduardo White.

        Se por um lado o mar é razão de evasão e de imaginação erótica, por outro lado continua a ser um arquivo líquido de memórias de antigos conflitos, trazendo das profundidades as significações violentas que também marcam o imaginário a ele ligado. Ainda na esteira da tradição, de fato, a viagem pela geografia líquida, recriada também através de recursos gráficos, se faz tentativa de interrogar o passado, incorporando-se à memória histórica do colonialismo na interrogação identitária pós-colonial que, de fato, coloca esta herança numa dimensão irônica e contraditória:

(…)	
                                     Nu e vazio regresso pelo túnel da memória
(alguma rede ou algum anzol do chão cavado) ! Que recordações
					                 para o futuro!...
  (...)                                                                      (OKAPI, 2007, p.15);

Uma estória antiga no tempo se dilui.      Inimiga 
com as chalupas se afunda	                          e
       somos nós a dor fecunda.
Nenhuma alegria trazida das redes nos consola. 

Oh! No mar nossas vozes seu templo constroem.
                                                                          (idem, p.29)                     

Matéria irrefutável na íris,     resto de rasto a remo conquistado.

Alguma estória arroto, razão aduzida na rota dos escravos,
o mesmo cravo ou açafrão para todo o fado.
   (...)                                                                   (idem, p.37)

         A ilha de Moçambique nunca é nomeada, mas sim evocada através do jogo intertextual e de um conjunto de referências que remetem ao seu espaço. Pelos títulos dos poemas, se entrelaçam o roteiro (poético e privado) da Ilha de Próspero, de Knopfli, e a errância insular de Virgílio de Lemos: “T. Amizade” (OKAPI, 2007, p.16); “Fortaleza” (idem, p.17); “Língua: ilha ou corpo?” (idem, p.20); “S. Paulo” (idem, p.21). Alguns destes títulos, por outro lado, remetem às fronteiras internas da cidade da ilha que, como todas as cidades coloniais, mostra, na configuração urbanística e arquitetônica, as formas de hierarquização criadas pela dominação colonial.

        Ao mesmo tempo, dentro dos textos, enunciam-se marcas relacionadas com a multiplicidade do universo étnico-cultural do norte do país, de que a ilha, na poesia, sempre foi metonímia, evocando-se, por exemplo, a arte e a cultura dos macondes de Moçambique (“Varias acções de mapiko”, 2007, p. 36).

        Na seção final do livro, intitulada “Mesmos Barcos”, que recria os fragmentos de prosa poética de Patraquim e Eduardo White, e no poema que fecha o livro, “O Barco Encalhado”, dedicado ao poeta Campos de Oliveira, a ilha e o norte do país, as suas paisagens culturais e identitárias, são recriados na sua diferença, permanecendo, simultaneamente, como margens da nação, já que se reitera a sua “distância” do “centro”, Maputo, que emerge também como lugar de enunciação da poesia, a partir do qual se enuncia a “nostalgia” em relação a esta margem, novamente ressignficada como lugar de alguma “origem”:

Aterra a saudade sobre o meu terraço.
Aço azul do céu. Seta certa perto do peito.
Emakhuwa é como onda no asfalto.
Lembra-nos a casa, a cana, o caniço
ou bambu. Nosso barco encalhado com terra.
transportando marítimo o silêncio da Ponta da Ilha
(tufo mudo na cicatriz da tarde).
Onde em Maputo porque circunsisos garotos somos
nossas garotas o rosto de m´siro maquilham?
 (OKAPI, 2007, p.49)

         Se, na poesia que tem consolidado o mito da ilha no imaginário moçambicano, a sua evocação estava fortemente ligada à recuperação e reivindicação de matrizes “orientais”, na construção da identidade cultural moçambicana, a revisitação pós-colonial de Sangare Okapi partilha desta instância, resgatando, por outro lado, sobretudo, a evocação da ilha e do norte enquanto significantes de uma diferença ainda percebida como “margem” no espaço identitário e político da nação, uma fronteira interna que a poesia interroga e tenta incorporar ao imaginário do centro/sul moçambicano.

        Outras margens e fronteiras internas marcam também o espaço referencial do livro de poemas de Helder Faife, que nos devolvem um olhar para o espaço urbano: a cidade pós-colonial, por um lado, libertada da autoridade colonial, por outro lado, profundamente marcada por fenômenos e lógicas de desumanização trazidas pela economia neoliberal. Neste aspecto, a cidade africana é, de fato, um símbolo visual da condição pós-colonial, enquanto lugar de encontros e conflitos entre mundos diferentes e síntese poderosa e contraditória de modernidade e tradição, onde novas linhas de divisão e “segregação” se entrecruzam e se sobrepõem às antigas configurações coloniais, cuja memória permanece em forma de vestígios disseminados na estrutura do espaço público, onde, ao mesmo tempo, emergem novas formas de resistência e de reconfiguração identitária (TRIULZI, 1996, 81).

        Partilhando de uma vertente recente da poesia moçambicana que, como observa Carmen Tindó Secco, problematiza a realidade do país a partir da denúncia da fome e da corrupção (SECCO, 2006, p. 244), a poesia de Helder Faife constrói o seu olhar para o espaço da cidade pós-colonial a partir do cotidiano da humanidade marginal e submersa, ligada ao chamado setor informal, que se configura como resposta localizada frente às dinâmicas da pós-colonialidade global.

        Relativamente às populações das zonas urbanas de Moçambique, da cidade de Maputo em particular, Teresa Cruz e Silva esclarece os vários fatores que determinaram o aumento progressivo da pobreza urbana e do setor informal, quer em termos quantitativos, quer em termos de espectro de atividades envolvidas. O crescimento deste setor, resultante de um conjunto de fenômenos locais e globais, constitui também uma forma de resposta aos impactos das reformas impostas pela economia neoliberal e à ausência do Estado na gestão das consequências sociais destes impactos, acabando “por espelhar a crise geral que afecta o país” (CRUZ E SILVA, 2006, p. 86) e, noutra perspectiva, por marcar de modo significativo a paisagem urbana.

        O belo texto de abertura do livro de Helder Faife anuncia a viagem por este universo subalterno que os poemas irão cumprir, sugerindo, ao mesmo tempo, a ideia de um movimento quase que subterrâneo das margens para o centro: “Tímido curso de águas domésticas suburba o lustro urbano destas páginas” (FAIFE, 2010, p.5). A referência ao célebre verso de José Craveirinha anuncia também o diálogo com o seu legado ético e poético. Definida como “gente anti-municipal” (idem, ibidem), a humanidade protagonizada nos poemas remete às figuras dos subúrbios, à “gente a trouxe-mouxe” (CRAVEIRINHA, 1997, p.11) de que José Craveirinha sempre se fez porta-voz nos poemas de denúncia do colonialismo e, posteriormente, em Babalaze de hienas, denunciando a violência e a desumanização trazidas pela guerra civil. Se este legado de Craveirinha é visível em todo o livro, é também pelo cotejo do presente com o passado, em alguns de seus poema, que se torna patente a condição pós-colonial da nação e da cidade, na medida em que antigas e novas subalternidades transitam e se reconfiguram entre o ontem e o hoje.

        O movimento das margens para o centro enunciado na abertura do livro marca a prática cotidiana de uma consistente maioria dos atores envolvidos no comércio informal, configurando-se como um trajeto de sobrevivência, portador de uma consciência do estigma social e da condição de não-pertença e exclusão. Lidos em contraponto com o passado, estes trajetos do presente, que cruzam os limites internos do atual espaço da cidade pós-colonial, por um lado ativam a memória de antigos percursos e antigas fronteiras e, por outro lado, convocam as travessias das migrações contemporâneas, que vão alterando também a paisagem das antigas metrópoles:

 (…)
chegamos
viemos quentes
das gélidas catacumbas do destino
infestar o sexo da calçada urbana
com nossas trouxas anti-municipais
de noite somos caçadores de lua
de dia vendedores de rua
                                        (FAIFE, 2010, p. 9)

         As trouxas e os sacos, que criam corcundas nos corpos, tornam-se marcas desta sobrevivência e desta identidade “anti-municipal”, enquanto sinal de insubordinação perante às regras que regulam o universo de atividades, ao qual vendedoras e vendedores de rua não têm acesso. Nos poemas recria-se, de fato, o embate entre dois mundos aparentemente em contraposição: o universo do setor informal e as suas dinâmicas de “ilegalidade” versus o circuito da economia oficial, aliado aos dispositivos da legalidade, como a repressão exercida pelas autoridades policiais. Por outro lado, em sintonia com a já mencionada vertente de crítica da degradação em que se encontra o país, esta contraposição é desconstruída e subvertida pela denúncia, quer da corrupção, quer da violência que os dispositivos da economia oficial exercem sobre os setores mais vulneráveis da sociedade.

(…) 
num ímpeto de precaução
recolho as coisas em comércio
gazela furtiva
sobrevivo na selva urbana
à fome predadora
do polícia municipal
                                   (FAIFE, 2010, p.18).

         No poema “Cá e lá”, a contraposição entre os dois mundos é construída para subverter a lógica de atribução de valor negativo ao setor informal:

cá
sentada num banco
a mamana monta a banca
prospera o negócio minúsculo 
e lucra sem crises

lá 
a banca lacra os bancos
já sem músculos
e decreta a crise
                    (FAIFE, 2010, p.17)

         Conjugando as instâncias da poesia de denúncia social a um certo paradigma da poesia do cotidiano, o olhar que o poeta projeta para a cidade pós-colonial utiliza o poder transfigurador da poesia, para também subverter percepções e representações comuns. As personagens e as dinâmicas relativas ao mundo do comércio informal são, de fato, representandas, em vários poemas, através de estratégias de imitação e apropriação dos códigos da economia e do trabalho “formais”, da lei e da administração, produzindo um efeito de subversão, que procura reatribuir, a estes sujeitos subalternos, o poder de resistência e de negociação da sua identidade social dentro do espaço da cidade e da nação. É o caso, por exemplo, de poemas como “Entro para relento”, em que o espaço ocupado pelo vendedor torna-se “alcatifado de asfalto/ mobilado de esquinas/ com o perfume da poeira/ o candeeiro do sol/ o vento é ar condicionado” (FAIFE, 2010, p. 11); “Banco” que alude à grande presença das mulheres na gestão de atividades do setor informal (CRUZ e SILVA, 2002, p. 82) e em que os códigos da economia formal são apropriados pelo corpo do agente feminino do comércio informal, ressignificando-se, simultaneamente, também, o código do vestuário feminino geralmente percebido como tradicional:


1
no norte da capulana
um nó providencial
é cofre seguro
o pano mãe
com que se enroupa
agasalha a receita do dia
2.
adentro o soutien
um depósito profundo
prudente conta bancária
3.
o corpo é um banco muito próximo 
(…)
                                                 (FAIFE, 2010, p. 14).

         No poema “Nas repartições”, enunciado por um sujeito coletivo, os códigos oficiais são apropriados e subvertidos para uma afirmação declarada de insubordinação, na qual o mundo do comércio informal é provocatoriamente ressignificado como espaço de transgressão e liberdade: “cumprimos o expediente/ nas repartições do dumbanengue/ sem a forca das gravatas/ e não juramos juros/ indispostos a impostos/ transaccionamos acções da vida ao sol” (FAIFE, 2010, p. 38).

        Através de várias estratégias de subversão do sentido comum, a poesia de Helder Faife imagina o modo como esta vária humanidade subalterna – formada por mulheres, homens e crianças – habita e marca, com os seus corpos, os seus pensamentos e a sua insubordinação, o espaço físico da cidade, onde ruas e esquinas são recriadas como lugares de sobrevivência e contestação da nova ordem estabelecida, bem como de negociação do direito à presença, no espaço sócio-econômico do “coração” da nação.

        A instância de denúncia da desumanização faz com que a poesia resista à retórica da idealização da pobreza, salientando, pelo contrário, que as dinâmicas da sobrevivência, as leis das economias, formais e informais, bem como a precariedade das condições materiais, atingem e reconfiguram constantemente as relações sociais e as representações identitárias, recriando um mundo onde “a vida/ esta que frequentamos/ é um grande mercado informal” (FAIFE, 2010, p. 44) e as “pessoas são atm’s1 móveis urgentes” (FAIFE, 2010, p. 79). Há, por outro lado, uma vontade de resgatar o direito da “gente anti-municipal” à imaginação e à beleza, que o poder transfigurador da poesia, de fato, reafirma. Em poemas como “Pagamento”, a dimensão lírica devolve toda a espessura humana da luta pela sobrevivência:

a mão em flor desabrocha
da bolsa para o mundo
cinco dedos em pétalas
notas verdes a sorrir
dentadura em clorofila 
(…) 
nas falanges esvoaçam
pássaros e borboletas
alegres porque depois da flor
vem fruto
                                       (FAIFE, 2010, p. 25) 

         Do espaço líquido e insular do Índico ao mundo do comércio informal da cidade, a poesia percorre e repensa o mapa da nação, devolvendo-nos fragmentos das suas margens, interrogando as continuidades e descontinuidades entre passado e presente, entre centros e margens, projetando inquietações e contradições que marcam a construção do futuro.

NOTAS:
1. Refere-se às caixas multibanco (automated teller machine).

REFERÊNCIAS:
CRAVEIRINHA, José. Babalaze das hienas. Maputo: AEMO, 1997.
CRUZ e SILVA, Teresa. “Determinantes globais e locais na emergência de solidariedades sociais: O caso do sector informal nas áreas periurbanas da cidade de Maputo”. In: Revista Crítica de Ciências Sociais. N. 63. Coimbra: CES, Outubro de 2002: pp. 75-89.
FAIFE, Helder. Poemas em sacos vazios que ficam de pé. Maputo: Edição Gráfica A2 Design, Lda.; TDM, 2010. (Concurso Literário TDM, Prêmio Poesia, 2010).
GLISSANT, Edouard. Poetica del diverso (trad. it.de Poetique de la relation por Francesa Neri). Roma: Meltemi, 1996.
HUGGAN, Graham. “Decolonizing the Map”. In: ASHCROFT et alii (ed.) The post-colonial Studies Reader. London: Routledge, 1995.
LEITE, Ana Mafalda. Literaturas africanas e formulações pós-coloniais. Lisboa: Colibri, 2003.
OKAPI, Sangare. Mesmos barcos ou poemas de revisitação do corpo. Maputo: Associação dos Escritores Moçambicanos, 2007.
SECCO, Carmen Lucia Tindó Ribeiro. “Entre sonhos e memórias: trilhas da poesia moçambicana”. In: Poesia sempre. Ano 13, número 23, 2006, pp. 229-249.
TRIULZI, Alessandro. “African cities, historical memory and street buzz”. In: CHAMBERS, I. and CURTI, L., (ed.). The post-colonial question: common skies, divided horizons. London: Routledge, 1996, pp.78–91.
ZACCARIA, Paola. La lingua che ospita. Roma: Meltemi, 2004.

Texto recebido em 23 de abril de 2011 e aprovado em 06 de maio de 2011.