Mulemba - n.8 - UFRJ - Rio de Janeiro / Brasil / junho / 2013

Opinião:

DIÁLOGO ENTRE A HISTÓRIA E A LITERATURA

Dina Salústio
Escritora de Cabo Verde

        Cada homem ou cada mulher trazem, à nascença, uma origem, um território, uma época e um conflito, que, no conjunto, compõem a sua história zero ou a sua história inicial e vão permitir que se referenciem no seu ambiente e tenham bases para desenvolver novas abordagens de interação com o mundo.

         Como características primordiais e, possivelmente, das mais atrativas, é de se destacar no ser humano: o fascínio pela descoberta, pelo conhecimento e pela verdade que, em casos específicos, se torna história; e o deslumbramento perante a magia das coisas que, igualmente, em casos específicos, se torna literatura. Assim sendo, cada indivíduo é história e literatura e, por isso, o diálogo entre estes produtos é natural, porque é a própria essência individual a desafiar e inspirar o historiador ou o escritor e a provocar o diálogo e a definir o rumo que cada um deles dará à abordagem das suas ideias, à sua curiosidade e inquietações.

        Como leitora e construtora de personagens e situações, penso que o diálogo entre a história e a literatura concorre para o seu enriquecimento mútuo, ao mesmo tempo em que alarga os horizontes do leitor e o prazer da leitura.