Mulemba - n.2 - UFRJ - Rio de Janeiro / Brasil / junho / 2010

Artigo:

A ÁFRICA E O FEMININO EM PAULINA CHIZIANE

África and the feminine in Paulina Chiziane

Profa. Dra. Maria Geralda de Miranda
Coordenadora do Curso de Letras da UNISUAM
mariamiranda@globo.com

RESUMO:
O presente trabalho é parte dos resultados de pesquisas realizadas acerca da obra da escritora moçambicana Paulina Chiziane, no decorrer de Estágio Pós-Doutoral, realizado na UFRJ, sob a supervisão da Profa. Dra. Carmen Lucia Tindó Ribeiro Secco. O enfoque principal versará sobre a análise da ação das personagens femininas: Sarnau, Rami, Delfina e Maria das Dores, dos romances Balada de amor ao vento, Niketche: uma história de poligamia e O alegre canto da perdiz. Tais personagens, para além de suas complexidades estéticas, serão lidas como representações dos dilemas culturais, históricos e sociais vivenciados pela mulher moçambicana na atualidade. Como seres de “fronteira” que são, entre a tradição e os sistemas culturais impostos pelos colonizadores, elas se movimentam reafirmando ou rejeitando os valores patriarcais em voga em Moçambique. Se, por um lado, a escritora espelha uma mulher sofrida, oprimida e “decaída” do ponto de vista simbólico, por outro, ela nutre as suas personagens femininas de muita força, sabedoria e determinação.

PALAVRAS-CHAVE: Paulina Chiziane, romances, feminino, Moçambique.

ABSTRACT:
This work is part of the results of studies conducted on the work of mozambican writer Paulina Chiziane, during Post-Doctoral stage, accomplished at UFRJ, under the supervision of Prof. Dr. Carmen Lucia Tindó Ribeiro Secco. Our main purpose is an analysis of the female characters: Sarnau, Rami, Delfina and Maria das Dores, from the novels Balada de Amor ao vento, Niketche: uma história de poligamia and O alegre canto da perdiz. Such characters, in addition to their aesthetics complexities, will be read as cultural, historical and social dilemma representations, experienced by mozambican woman nowadays. As "frontier" creatures, that is, people living between tradition and cultural systems imposed by the colonizers, they move reaffirming or rejecting the patriarchal values in vogue in Mozambique. On one hand, the writer reflects a woman's suffering, oppressed and "fallen" of symbolic point of view, on the other, she nurtures its female characters with a lot of strength, wisdom and determination.

KEYWORDS: Paulina Chiziane, novels, feminine, Mozambique.

       A partir da leitura do romance Niketche: uma história de poligamia, de Paulina Chiziane, a primeira mulher a escrever romances em Moçambique, seu país, comecei a observar o modo pelo qual a escritora aborda a problemática do feminino em suas obras. A leitura posterior dos romances Balada de amor ao vento, publicado pela primeira vez em 1990, e O alegre canto da perdiz, em 2008, me motivaram a fazer um estudo do conjunto da obra da autora, buscando mapear a especificidade do feminino em Moçambique, a partir do olhar da escritora.

      Para tanto, optei por fazer um levantamento das personagens femininas, as heroínas das histórias contadas. Conhecê-las foi a primeira tarefa, imaginá-las de forma articulada umas com as outras só foi possível em uma etapa posterior. Rami, personagem central do romance Niketche, instigou-me a reler a Introdução histórica, escrita por Rose Marie Muraro, para a edição de 1991 do livro O martelo das feiticeiras - o manual do inquisidor. Em tal apresentação, a estudiosa demonstra com clareza o processo de desenvolvimento da sociedade patriarcal e a conseqüente consolidação da hegemonia do poder do homem sobre a mulher, do primitivismo ao capitalismo moderno.

      Muraro nos relata que a própria visão de divindade, que era predominantemente feminina nas sociedades primitivas, se desenvolve para o compartilhamento de deuses e deusas, e chega ao seu ponto culminante com um deus único e masculino. O homem é feito à sua imagem e semelhança e, só após, a mulher é feita do homem e de sua parte mais torta, a costela.

      A partir da leitura do conjunto da obra da escritora, percebe-se flagrantemente a sua preocupação com o feminino, de um modo geral, e com a mulher moçambicana, em particular. A escritora demonstra conhecer em profundidade as demandas político-jurídicas e sociais relacionadas às mulheres de seu país, sem perder de vista questões histórico-culturais muito importantes, como a poligamia. Esta prática social está retratada no conjunto de sua obra. Algumas vezes, como em Balada de amor ao vento, para questionar a cultura imposta pelo colonizador, pois Sarnau amava Mwando, queria viver ao lado dele e não se importava em ser a sua segunda esposa. Este, totalmente assimilado à cultura ocidental cristã, prefere o casamento monogâmico.

      Tal narrativa refere-se à saga dolorosa e inquietante dessa heroína que viveu as desventuras de um amor, que conheceu ainda na adolescência, mas que a trocou por outra, rica e cristã. Após a sua primeira “balada de amor”, ela atravessou a juventude, experimentando todas as contradições do universo feminino moçambicano, sem perder as esperanças de ser feliz.

      Em Niketche, Rami, após descobrir os casos extraconjugais do marido Tony, reclama direito iguais para todas as mulheres do marido, reivindica que este deveria curvar-se à prática tradicional da poligamia, já que a sua responsabilidade com suas seis esposas deveria ser equânime. Nesse romance, também, por mais que a crítica à poligamia seja evidente, há um contraponto que reclama a tradição, pois Tony é um adúltero à moda ocidental e não um polígamo à moda africana.

      Rami se considerava casada dentro dos preceitos da monogamia, o que exacerbava o seu sofrimento, já que recriminava a prática autóctone. Considerava-se educada e cristianizada, mas, ao descobrir as outras esposas do marido, passou a questionar os valores e os estatutos sociais em que acreditava.

      A questão da poligamia faz parte da tradição de muitos povos moçambicanos, certamente por influência árabe, e se constitui como prática social legalmente aceita. Mas, como sabemos, por mais que valorizemos a tradição e ressaltemos a sua importância, ela não favorece as mulheres, nem no Ocidente, nem no mundo africano. Claro está que, a partir do domínio do homem na história da humanidade e da conseqüente formação das estruturas patriarcais, as mulheres em geral foram perdendo importância.

      Em Ventos do apocalipse, outro romance da escritora, a poligamia corrobora com a opressão e com a humilhação à mulher, pois a guerra e a fome tornam os homens mais truculentos. Sianga, o régulo de Mananga, oprime a esposa Minosse e filha Wusheni. O lobolo, que já coisifica a mulher em épocas normais, em situações extremas, como em casos de guerra, ganha maior importância e, por conseqüência, expõe mais ainda a mulher à condição de mercadoria.

      Em O alegre canto da Perdiz, a ação colonial modificou bastante o espaço da aldeia das personagens Delfina e Maria das Dores, pois estas passam por muitas formas de aviltamento. Ambas, mãe e filha, se prostituem em troca de comida. Esta última é vendida ainda criança, pela própria mãe, ao feiticeiro Simba. Muitos estudos realizados apontam claramente que, com a chegada do colonizador no mundo africano e com a conseqüente desestabilização dos sistemas autóctones de organização social, em muito piorou a situação da mulher. É o caso retratado em O alegre canto da perdiz.

      Se por um lado, a escritora espelha uma mulher sofrida, oprimida e “decaída” do ponto de vista simbólico, por outro, ela nutre as suas personagens femininas de muita força sabedoria e determinação. Sarnau, a sua primeira heroína, luta para superar o desprezo de Mwando e a arrogância de Nguila, de quem foi a primeira mulher. Supera muitas contradições; no final, termina com Mwndo e ainda tem forças para amá-lo. Rami desafia o marido, se irmana às esposas de Tony com as quais passa a conviver e a dividir angústias. Como cada esposa de Tony é de uma região de Moçambique, Rami, na vontade de conhecê-las, amplia o seu conhecimento sobre o seu próprio país, já que cada uma delas é de uma região.

      Maria das Dores, como o nome já diz, sofre, mas abandona Simba, seu senhor e opressor, perambula por Moçambique, durante a guerra e chega aos Montes Namulis, local emblemático do romance, pois simboliza o locus de nascimento da humanidade. É na aldeia próxima a esses montes que ela reencontra seus filhos e renasce para a vida.

      Sabe-se que a realidade das mulheres dos países colonizados é bem diferente da realidade das mulheres dos países centrais. Daí o cuidado quando se teoriza sobre questões de gênero, tendo em vista que, se por um lado, ainda hoje, as mulheres urbanas européias ou americanas ganham menos que os homens pelo mesmo trabalho realizado, por outro, as mulheres pobres do chamado terceiro mundo, onde se inclui a africana e a latino-americana, não apenas estão excluídas das benesses proporcionadas pelo desenvolvimento da ciência e da tecnologia, mas sequer conseguem alimentar seus filhos.

      Como afirma Martiniano J. Silva, numa reflexão sobre a mulher negra no Brasil, mas que pode se estender às africanas, a dignidade da negra teria sido, sob a égide do medo e da insegurança, violentada, atingindo a honra no âmbito moral e sexual, por meio de uniões mantidas a força, nas quais as crianças eram concebidas legalmente sem pai. Silva diz que é imperioso que não se confunda "a descaracterização de um povo pela violência sexual com a hipótese de uma democracia racial." (1995, p. 34)

      É oportuno observar, em algumas obras de Chiziane, principalmente no romance O alegre canto da perdiz, o que é analisado não apenas por Martiniano J. Silva, mas também por Alberto Oliveira Pinto. Em seu artigo “O colonialismo e a coisificação da mulher”, esse último estudioso diz que “a mulher africana foi sempre encarada pelos colonos portugueses tão somente enquanto um instrumento de dominação sobre os espaços e sobre os homens colonizados”. (PINTO, 2007, p. 48).

      É relevante também a observação desse estudioso quanto à expectativa da mulher africana ao se aproximar sexualmente do colonizador, já que esta buscava uma ascensão a uma categoria social superior à que tinha nas suas sociedades tradicionais, concretizada, quer através da passagem de escrava a serviçal ou da mudança da tanga para os panos próprios dos meios urbanos, quer mesmo através da ilusão de ocupar o lugar da mulher branca. A personagem Delfina de O alegre canto da perdiz passa por essa última situação, quando se une ao português Soares.

      Olga Iglesias (2007, p. 141), preocupada com as perspectivas para a mulher moçambicana na entrada do novo milênio, afirma que no período da luta armada de libertação nacional foram feitas importantes reflexões e estudos considerados "mais globais" sobre a situação da mulher moçambicana, “pelo tratamento da problemática dos obstáculos à emancipação, pela estratégia de inclusão da mulher nos centros de decisão e pelo envolvimento da mulher na tarefa principal - a de combater pela independência de Moçambique, como igual, livre e irmã”. Ela cita um fragmento do discurso de Samora Machel, presidente da FRELIMO, pronunciado na primeira Conferência da Mulher Moçambicana em 1973, cujo título é: “A libertação da mulher é uma necessidade da revolução, garantia de sua continuidade, condição do seu triunfo.”

      Iglesias salienta, contudo, que do ponto de vista histórico houve um período de grande desestabilização, provocada pela guerra civil, logo na década a seguir à independência (25-06-1975) e que se estendeu a todo país (1982-1992), provocando uma grave crise, uma miséria sem limites, fome generalizada e falta de medicamentos. Ela ainda enfatiza que a vida em Moçambique hoje é

uma questão muito frágil. A estatística oficial aponta para os trinta e oito anos como, como esperança média de vida. Saiu-se da guerra civil há treze anos (1992), mas prevalecem os fatores de fome, miséria e de falta de infra-estrutura que garantam os bens mais essenciais à vida. (...)54% dos moçambicanos encontram-se em 2005 em situação de pobreza. (...) Do ponto de vista teórico e jurídico, há a Constituição aprovada em 1990, que representa um grande avanço em relação à de 1975. Na Constituição estão salvaguardados os direitos universais, fundamentais do indivíduo e dos cidadãos – o direito à vida, à dignidade da vida humana, o respeito pela liberdade de expressão e de circulação, de religião, de associação. Está também consagrada a igualdade dos cidadãos, a igualdade da mulher e do homem. (idem, p. 144, grifos meu).

       Apesar de todos os avanços consignados na lei maior do país, ainda seguindo Iglesias, a Constituição ainda é só um belo programa, que só “o desenvolvimento sustentado e integrado da sociedade poderá permitir realizar” A pesquisadora assevera, todavia, que, apesar da crise, há esperança em um renascimento africano. O que pode ser comprovado, segundo ela, pelas decisões dos novos chefes de estado, que produziram um importante documento conhecido como NEPAD (Nova Parceria para o Desenvolvimento da África). Os itens 67 e 68 do documento se referem a questões relativas ao desenvolvimento humano e também aos direitos de igualdade da mulher em relação aos homens. Menciona o documento:

Promover o papel das mulheres em todas as atividades. (...) Realizar progressos para assegurar a igualdade do gênero e capacitar as mulheres, através da eliminação das disparidades sexuais no processo de matrícula na educação primária e secundária até 2005; (...) Reduzir os rácios da mortalidade materna em três quartos entre 1990 e 2015; Providenciar o acesso para todos os necessitados aos serviços de saúde de reprodução até 2015. (NEPAD, documento assinado pelos líderes africanos, em Abuja, Nigéria, em outubro de 1961, Apud IGLESIAS, 2007, p. 145-6).

       Sabe-se que as manifestações materiais e discursivas de opressão da mulher, não apenas ocidental, vem de longa data e se relaciona a fatores de cunho sociológico, antropológico e psicológico, que envolvem aspectos relacionados à divisão social do trabalho e à própria procriação. Simone de Beauvoir argumenta “que a história nos mostrou que os homens sempre detiveram todos os poderes concretos, desde os primeiros tempos do patriarcado; julgaram útil manter a mulher em estado de dependência; seus códigos estabeleceram-se contra ela; e assim foi que ela se constituiu concretamente como Outro.” (BEAUVOIR, 1980, p. 179).

      Para F. Engels (1985, p. 62), há um processo de desenvolvimento do domínio do masculino sobre o feminino desde as sociedades primitivas patriarcais, mas é no capitalismo que se põe à mostra a reificação absoluta da mulher, pois a família monogâmica no capitalismo também gera profundas contradições e uma delas é o desenvolvimento da prostituição feminina, em que a mulher é mercadoria de prazer sexual masculino.

      Observa Engels (1985, p. 64) que a “queda da mulher na história universal se dá quando ela passa a ser servidora, escrava do prazer do homem e mero instrumento de reprodução”. Ele também diz que este rebaixamento da condição da mulher, tal como já aparece abertamente entre os gregos dos tempos heróicos e mais ainda dos tempos clássicos tem sido gradualmente retocado, dissimulado e, em alguns lugares, até revestidos de formas mais suaves, mas de modo algum eliminado.

      Deolinda M. Adão (2007, p. 201-2) diz que a construção de identidade feminina tem sido debatida desde a segunda metade do século XX, mas só a partir da segunda metade do século, particularmente a partir dos fins dos anos sessenta, começaram a surgir trabalhos em que as noções de sexo e/ou gênero eram abordadas e estudadas a partir de perspectivas diferentes e por especialistas de diversas disciplinas, o que em muitos casos resultou conclusões contraditórias.

      A ensaísta critica muitos debates sobre identidade feminina e/ou feminista emanados de fontes européias ou euro-americanas em razão deles conterem “tendências etnocêntricas e imperialistas”. Citando Haraway, Adão afirma que a produção teórica de feministas de diversas culturas representa uma tentativa consciente de inclusão de suas respectivas realidades culturais e efetivamente o “percurso de sua construção. E que a teorização desses últimos trinta anos, além de desestabilizar os cânones do feminismo ocidental, é fundamental para conceituação de identidade de e por mulheres do terceiro mundo, mulheres de culturas não européia ou euro-americana.

      Carnen Lucia Tindó R. Seco (2007, p. 392) salienta que “na maioria das literaturas, poucas foram as mulheres que conseguiram maior visibilidade para seus escritos” e que a escrita feminina africana, em particular, foi quase inexistente no período colonial e mesmo no período de luta de libertação nacional. É por isso que como diz John Rex (2007, p. 442- 3), o ato de escrever para a escritora africana representa um projeto vital e central para a imagem da própria mulher individualizada ou coletivamente concebida, “de modo que o autobiográfico e o biográfico, a reportagem e a historiografia, o testemunhal e ficcional se mesclam e se interpenetram.”

      Tem razão John Rex, porque as personagens femininas de Paulina Chiziane são totalmente cingidas à realidade moçambicana. São seres de fronteira entre a tradição e os sistemas culturais impostos pelos colonizadores. Rami se vê impelida a conhecer “o Moçambique da tradição” que já havia rejeitado, por força da assimilação. E nesse percurso percebe a heterogeneidade de culturas. Sarnau, a mais doce personagem de Paulina, queria a liberdade para amar, o que lhe confrontava com a tradição, já que os casamentos são arranjados tendo em vista, primeiramente, o pagamento de lobolo. Delfina e Maria das Dores são vendidas em troca de comida. Já nascem com a vida da aldeia totalmente modificada pela presença colonial.

      Delfina teve a sua sexualidade colocada a serviço do regime salazarista, serviu como prostituta e desejava se relacionar com homens brancos como forma de renegar suas origens e gerar filhos mulatos. Renega a tradição, mas acredita em feitiços e faz uso deles. Ambas, mãe e filha são confrontadas com os “novos” valores coloniais e com os valores da tradição. Vê-se que, para Paulina, escrever é também denunciar injustiças e dar voz a quem quase não a tem, que são as mulheres. É refletir sobre os traumas da colonização, da escravidão e das guerras. É também pensar em projetos de reconstrução nacional e da vida comunitária. É pensar nos espaços cidade e aldeia, passado e presente. Espaços e tempos que se polarizam e se interpenetram, principalmente a partir de uma instituição africana muito forte que é a família.

      Vê-se que a leitura do feminino em Moçambique, a partir das obras da escritora Paulina Chiziane, requer, além do estudo das idéias feministas pós-coloniais - que privilegiam as reflexões de raça e gênero, cidadania e identidade - uma pesquisa acerca das práticas sociais e culturais das diversas etnias que habitam o território moçambicano, abrangido pelo vasto espectro ficcional da obra da autora. Requer ainda um maior conhecimento acerca de aspectos antropológicos e historiográficos do país e a disposição de percorrer caminhos nem sempre seguros, já que as fontes são, em última instância, também interpretações, nem sempre de vivências e experiências.

      As personagens de Paulina são “forjadas” e “temperadas” na e pela dor, o que nos permite afirmar que as ações desenvolvidas por elas, por um lado, representam os sofrimentos, os desejos e as angústias das mulheres moçambicanas, mas também as crenças e esperanças de dias melhores.

REFERÊNCIAS:

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PINTO, Alberto Oliveira. “O colonialismo e a ‘coisificação’ da mulher no cancioneiro de Luanda, na tradição oral angolana e na literatura colonial portuguesa.” In MATA Inocência;

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